I love Paris in the summer (parte 4)

A torre e a lua

Já tinhamos sido mais do que avisados de que não existe a possibilidade de, em um fim de semana, ver todos os museus de Paris. Nem tínhamos essa pretensão. Agora, deixar o Musée d'Orsay de fora não era uma opcão. Então, acordamos o mais cedo que o cansaco da noite anterior permitiu, e nos mandamos para o centro de Paris novamente.

A fila, ah, a fila. Voltas e voltas. Não poderia ser diferente - verão, sábado de manhã, e uma exposicao de obras de arte de Cezanne, Picasso e muitos outros, negociadas ou colecionadas por Ambroise Vollard (que eu obviamente não tinha a menor idéia de quem era até ir a essa exposicão).

O museu por si só já é um espetáculo. Era uma estacão de trem, e tem todo o jeito que já é meu conhecido depois de tantas viagens de trem pela Europa. Mas é uma estacão de trem de Paris da época de ouro da cidade. Lindo, imponente, cheio de esculturas e decoracoes douradas que seriam bregas em qualquer outro lugar do mundo. Mas ali, não. Ali elas são parte de toda a maravilha que vemos, observamos cada detalhe, e depois tiramos foto para nunca esquecer.

Não vou falar muito das obras de arte em si não porque não gostei (aliás, ver Monet ao vivo também é uma coisa! Não compara com Van Gogh, claro, mas ainda assim... arrepios!), mas porque ainda tem história demais para contar por aqui. Só quero comentar que uma das coisas mais lindas que eu vi lá foi um pai com um moleque de uns três anos de idade montado nos ombros apontando duas telas de Monet e falando sobre a direcão da sombra em cada uma. Crescer com tantas coisas bonitas à disposicão e com um pai disposto a conversar sobre elas deve ser muito bom =)

Depois da curta passagem pelo Musée d'Orsay (claro que deixamos de ver muita coisa por lá), saimos correndo em direcão à estacão de trem Montparnasse, do outro lado da cidade, para ir a Versailles, conhecer o famoso palácio. Olha, eu nunca - nunca! - na minha vida tinha visto uma conexão de metrô tão gigante. Anda, anda, anda, anda, anda mais na esteira, e anda, anda, anda, meu Deus, ainda não terminou, anda, anda, anda. Não foi menos de 1km, tenho certeza. Chega na estacão, descobre como compra o ticket, e anda, anda, anda, anda, anda, anda. A idéia era chegar em Versailles por volta de uma e meia, ou duas da tarde, mas como nos enrolamos para comprar o bilhete do trem (e andamos, andamos, andamos), acabamos por chegar lá quase quatro.

O palácio é imenso, claro, como tantas outras coisas na Franca. Já estávamos acostumando com a idéia de ter apenas uma tarde para visitar tudo, e agora a tarde estava reduzida a apenas duas horas e meia. E a fila... enorme também. Pelo menos meia hora em pé, depois de andar tanto no museu. Demos um azar danado nesse dia, porque normalmente o castelo fecha às 18:30 (e já ficamos espertos de que quando eles dizem que fecha às 18:30, significa que a partir de 18h eles já estão enxotando todo mundo de lá de dentro), mas os jardins ficam abertos até bem depois; só que exatamente nesse sábado o jardim fecharia mais cedo por causa de alguma comemoracão cívica. Então só vimos os famosos jardins de Versailles de longe - não que não tenha valido a pena. E sim, eles vão além do horizonte, não dá para ver o fim. Bem coisa de quem achava que era Deus mesmo.

O palácio em si, além de gigantesco, é... brega. Pela primeira vez durante toda minha estada em Paris eu tive essa sensacão. Isso aqui é brega, exagerado. Uma coisa ou outra me pareceram bonitas (um guarda-roupas de madeira e ouro, e a Sala dos Espelhos), mas de maneira geral, o castelo foi para mim pura e simplesmente de interesse histórico. Claro que eu estava cansada de tanto andar, e com um mau-humor danado depois que os segurancas do castelo comecaram a me expulsar com a típica delicadeza francesa.

Voltamos para o hotel para um breve descanso, pois tínhamos um programa inadiável para a noite: ver a Torre Eiffel brilhando! Como íamos voltar para Genebra às sete da noite do dia seguinte, essa era a última chance para subir na Torre à luz da Lua.

E que Lua! Era o primeiro dia da fase cheia, e quando chegamos na torre, ainda dava para vê-la subindo por entre as ferragens iluminadas com aquela típica luz amarelada. Tirei cada foto linda!

A Torre Eiffel é linda demais. Sólida, cheia de ferragens bem trabalhadas. Tão firme que parece que vai ficar ali fincada no chão até o fim dos tempos.

E os parisienses gostam demais da sua torre. Sábado à noite, e o Champs de Mars cheio de gente, especialmente jovens, cantando com o violão na mão e uma garrafa de vinho barato (e vinho barato na Franca não é sinônimo de vinho ruim). Por incrível que pareca, não me senti turista, mesmo estando em um lugar tão turístico.

A noite estava linda e agradável, mas as pernas já pediam arrego, de novo. Não era nem uma da manhã quando resolvemos voltar para o hotel e dormir bem para aguentar o último dia da viagem a Paris.

(continua)

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