Azul, tão azul

Não existem estatísticas que sirvam de consolo quando alguém conhecido morre em um desastre como esse.

A Patrícia era uma pessoa de um olhar tão azul que acalmava. Dói em mim imaginar como seus olhos estariam nos intermináveis minutos que devem ter separado a consciência da fatalidade e a inconsciência do que veio em seguida.

De maneira geral, não gosto dessas situações em que alguém que conhecia, mas não era tão próximo, demonstra pesar exagerado por uma perda que talvez não esteja sentindo tanto assim. Eu, que duvido demais dos meus sentimentos e razões, me pergunto até que ponto eu estou pesarosa por ela ou por mim, que me defronto ainda outra vez com o intangível conceito de que a vida acaba sim, sempre, de uma maneira ou de outra.

E nesses momentos que eu tento deixar a auto-crítica de lado e me permitir sentir a dor por uma pessoa que eu conhecia, admirava, e ouvia falar com tanto carinho. A Patrícia do olho azul. Olho azul tão azul que acalma.

Querida amiga da minha amiga, que por osmose e merecimento ganhou minha estima verdadeira, ainda que não tão próxima, por mim não serás esquecida, e com isso farei minha parte para garantir que você viva para sempre.

Se Deus existe, ele está com você.

Trackback URL for this post:

http://mairacarvalho.com.br/blog/trackback/3

Responder

O conteúdo deste campo é privado não será exibido publicamente.
  • Allowed HTML tags: <a> <em> <strong> <cite> <code> <ul> <ol> <li> <dl> <dt> <dd>
  • Linhas e parágrafos quebram automaticamente.
  • Endereços de páginas de internet e emails viram links automaticamente.

Mais informações sobre opções de formatação

Captcha
Você é um humano? Digite as letras que você vê na imagem
Copy the characters (respecting upper/lower case) from the image.