I love Paris in the summer (parte 2)

... de onde há de vir julgar os vivos e os mortos

Tudo acertado com o hotel, fomos imediatamente para a cama. Ainda sem uma programação fechada, apenas sabíamos que havia uma infinidade de lugares a serem visitados e muito pouco tempo para ver tudo. A decisão desde o começo parece ter sido priorizar a quantidade. Afinal, nem morando um ano inteiro em Paris conseguiríamos ver tudo mesmo...

A quinta-feira amanheceu razoavelmente ensolarada, contrariando a previsão do tempo, que prometia chuva por toda a nossa estadia. Aproveitamos o presente para fazermos logo os passeios ao ar livre.

A Catedral de Notre Dame é tudo o que falam. Mentira: é mais. Ficamos uns muitos minutos olhando detalhes absurdos nos portões de entrada da categral. Santo sem cabeça, demõnios apoiando anjos, e o mais impressionante, o julgamento final, quando Jesus Cristo, o único filho de Deus nosso senhor, irá descer e julgar os vivos e os mortos, pesando as almas e dividindo o mundo entre os justos e os maus.

Por dentro, a Catedral também é linda, claro. Vitrais são invenções mágicas. Adoro a maneira como me transmitem paz de espírito e me impelem a pensar sobre as coisas sérias com tranquilidade. É uma verdadeira pena que todas as catedrais que visitei até hoje estivessem sempre cheias. Adoraria ter tempo de sentar em um banco e admirar cada curva do trabalho minuncioso de quem fez aqueles vitrais, como se a meditação da pessoa que executou o trabalho pudesse, de alguma forma, ser transferida para mim.

Em frente. O mapa nos disse que a Catedral ficava pertinho do começo da Champs Élysées. Mapas de vez em quando mentem. Mentem porque nem sempre indicam a escala. E a caminhada, apesar de linda, foi um pouco maior do que eu esperava. Pelo menos essa foi a minha percepção ao final do dia, quando, depois de atravessarmos toda a avenida até o Arco do Triunfo, meus pés e pernas pediam arrego. Mas agradeçamos infinitamente à memória seletiva, que fez com que depois de alguns dias eu não me lembrasse mais da dor no pé, mas sim da vista maravilhosa do Rio Seine com a Torre Eiffel ao fundo.

Planejávamos ir à noite à Torre, mas a caminhada com desvios para ver palácios e estátuas banhadas a ouro e obeliscos milenares nos venceu. Ainda havia tempo, era apenas nosso primeiro dia em Paris.

(continua)

Trackback URL for this post:

http://mairacarvalho.com.br/blog/trackback/101