À superfície

É como se alguma entidade estivesse me segurando sob a superfície de um lago - Lago Paranoá, Lago Leman ou um dos milhares de lagos finlandeses, nem faz tanta diferença. Essa sensação de atropelo e de falta de ar independe do lugar, independe da situação. Cada vez que eu tenho mais coisa para fazer do que as que meu corpo aguenta eu sinto aquele desespero, e choro, e quero o colo da minha mãe.

Eu quase me esqueci que há um ano eu estava quase desistindo do MBA à distância, porque tinha me mudado recentemente, minha companheira de curso tinha ficado grávida, e ninguém conseguia sentar e escrever o projeto, por mais que ele estivesse todo delineado.

Minha memória seletiva funciona tão bem que um de meus maiores desafios até hoje passou completamente despercebido naquela época. Ah, aquele projeto final que não ficava pronto nunca. E foi o segundo. O projeto antes daquele foi ainda mais corrido. Quem disse que eu me lembrava disso?

Mas desta vez eu consegui subir e buscar o ar que me faltava. No dia em que eu estava rolando na cama durante a noite, sem saber se chorava ou se gritava, se pedia para descer ou para dormir até a primavera, eu consegui respirar e falar para mim mesma, já foi pior, e eu sempre dei conta. Não vai ser diferente desta vez.

E assim, um passo após o outro, as pendências vão se desfazendo. Um pouco mais de planejamento e uns florais de Bach me ajudaram bastante, claro. Mas tenho certeza de que essa é na verdade um resultado daquilo que sempre dizem por aí. Aquela frasezinha sábia que me lembra que aquilo que não me mata me deixa mais forte.

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(Esse post é também uma maneira de explicar o porquê do sumiço a quem andou tentando falar comigo nos últimos dias e não recebeu resposta. Me recuso a responder emails de qualquer jeito, mas ainda não consegui sentar com o tempo para me dedicar a eles do jeito que eu quero. Mas estão lá, e em breve - espero! - todos serão devidamente respondidos.)

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