A visita ao CERN, no mês retrasado

Túnel comprido do subsolo do CERN

(Vamos lá, tentativa de finalmente colocar o blog em dia com todas as coisas que eu sempre quis escrever aqui e ficava com preguiça.)

Apesar de meu recente encanto total e absoluto pela Holanda, eu ainda me lembro bem das razões pelas quais declarei aos quatro ventos que amo Genebra. A principal delas é que as pessoas aqui, por estarem todas (ou quase) em um ambiente estranho, por tempo determinado, sozinhas mas cercadas de gente, são muito abertas. Abertas a conhecer gente nova, a sair para lugares diferentes, a testar esportes novos, a aprender a cultura dos outros. Isso é maravilhoso e acolhedor, mesmo em uma cidade tão calma e por vezes asséptica como minha querida Genebra.

Introdução feita, quero dizer que, em minha terceira semana na Suíça, eu já tinha ido a duas festas de brasileiros, onde conheci holandeses, alemães, russos, noruegueses, chilenos e um monte de brazucas gente fina, claro, todos do CERN.

CERN (Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire, ou Conselho Europeu para a Pesquisa Nuclear) é o lugar maravilhoso onde a World Wide Web foi inventada por Tim Berners-Lee em 1990, e por isso figurava no topo da minha lista de lugares turísticos a visitar =). Depois que eu comentei isso com o pessoal que conheci, ganhei, claro, um convite para passear por lá, e não só pelos típicos locais onde os turistas são levados pela mão, depois de terem esperado por meses por uma visita agendada.

Numa chuvosa sexta-feira, me despenquei para o CERN. Para vocês terem uma idéia, o CERN fica na fronteira com a França. O Arnaud, holandês simpático autor do convite, estava me esperando na parada, guarda-chuva em mãos. Não era muito tarde, mas já estava escuro há um tempão e friozinho.

Começamos, claro, pelo escritório do Berners-Lee. Deve ser algum tipo de senso comum que os caras da informática gostam de porões, subsolos e barulho de ar-condicionado. Um cubículo menor que a sala da minha mãe na UnB, dividido por oito (oito!) pessoas, logo na entrada de um corredor longo, daqueles que têm os tubos de água e esgoto aparentes no teto. Me senti em casa, já que minha infância foi exatamente num lugar como esse - o departamento de computação da UnB, para onde eu ia sempre que meus pais não tinham onde me deixar ou quando eu ficava doente e não podia ir para a escola.

Depois visitamos os outros prédios do CERN - esses sim, modernos, bonitos, arejados, pelo menos os que eu vi. Vi aceleradores de partículas, prédios repletos de computadores que são usados para Grid computing, a cafeteria e uma torre alta com uma vista de todo o CERN (tá, era noite e tava chovendo, então não vi muita coisa, no final das contas).

Mas, de longe, a melhor parte da visita foi a descida aos túneis do CERN. Aquilo ali, sim, tem ar de ficção científica, livro de ação, jeitão de história de suspense ou de perseguição policial. De fato, Arnaud me disse que boa parte do livro Anjos e Demônios do Dan Brown se passa ali. Se um dia eu tiver paciência de ler Dan Brown de novo, vou conferir como ele descreveu aqueles túneis apertados, úmidos e abafados, com tubos correntes de sei lá quantos mil volts logo do seu lado e outros tubos coloridos ao lado - com inscrições do tipo "Milk", "Coffee", "Tea", feitas por algum estudante bem-humorado. (Ah, como eu adoro os nerds!)

E para fechar com chave de ouro, a hora que saímos dos túneis para um dos prédios do CERN (os túneis ligam os prédios do complexo uns aos outros): "Agora a gente tem que tomar cuidado aqui nessa porta, porque ela só abre por dentro. Por fora, só com a chave." "OK." "Vamos ver se aqui dá para ir lá para fora. Ah, dá sim, sei onde estamos." "Posso fechar a porta então?" "Pode." "OK." "Oh-oh.". Sim, minha gente, a porta para sair do edifício estava trancada! E não conseguimos voltar para os túneis, nem subir as escadas, nem nada.

Terror e pânico - eu estava crente que iam me achar ali dentro, onde eu provavelmente não deveria estar, confiscar meu passaporte e me deportar pra casa. O Arnaud queria ligar para o corpo de bombeiros para tirarem a gente dali! Que mico! Lembrem-se de que era sexta-feira, e o prédio só seria aberto de novo na segunda seguinte. Mas tinha uma guarita de guardinhas logo em frente à porta que nos prendia dentro do prédio. Ficamos tentando bater na porta, chamar a atenção com a luzinha do celular, fazer careta, e nada dos guardinhas olharem. Até que uns vinte minutos depois o Arnaud achou onde ligava a luz do lugar. Com luz ficou bem mais fácil de chamar a atenção, e em pouco tempo o guardinha, com o ar mais intrigado do mundo, soltou a gente da prisão improvisada. "Não sei como vocês entraram aí", ele falou desconfiado. Bom, eu que não quis ficar por perto enquanto ele tirava as conclusões dele.

Nos próximos posts vou continuar fazendo a recapitulação dos melhores momentos em Genebra =)

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Comentários

Fernando S. Trevisan (não verificado(a)) qua, 10/01/2007 - 16:26

Ma,

Comecei a ler pensando em te dar a maior bronca por demorar TANTO para relatar essa sua visita histórica (rs).

Mas quando terminei de ler eu estava fascinado demais e não lembrava mais exatamente o que eu ia dizer pra bronquear contigo, hehehe.

MUITO legal isso, só estou aqui pensando com meus botões: você decerto não levou uma câmera e tirou umas fotos, né?

tsc, tsc (ok, eu tinha que dar ao menos uma bronquinha! hehe)

Bjs!!!

maira
imagem de maira
qua, 10/01/2007 - 17:46

Pô, Fer, tirei! Vou postar aqui quando chegar em casa. Mas agora é a vez da *minha* bronca: cê não viu essas fotos no Flickr não, é?? tsc tsc

hehehe Brincadeirinha! O negócio é que o Flickr aqui é bloqueado e eu não pude pegar ainda as fotos de lá para já subir junto com o texto. Preferi por o texto primeiro e depois atualizar a foto, que nem fiz com a de Amsterdam =)

Fernando S. Trevisan (não verificado(a)) qui, 11/01/2007 - 17:07

...eu ainda não sou um "flickr guy", mal entro lá, por isso que não vi. Quem sabe quando chegar meu iPhone, com camera de 2MP, isso mude... rs
Beijos, Ma e continue atualizando, estou adorando as histórias :D
:***

Heber (não verificado(a)) seg, 15/01/2007 - 13:30

Dan Brown que se cuide......

Beijão,

tio Heber.