I love Paris in the summer (parte 1)

Eu e a Torre

A primeira viagem da maratona foi a Paris. Em três horas, o TGV percorre os sei lá quantos quilômetros e magicamente me transporta do centro de Genebra ao centro de Paris. Ainda bem que consegui que uma das viagens fosse por via terrestre. Já vou ter que entrar em avião oito vezes em menos de três semanas, o que para mim é no mínimo desconcertante. E como ir de trem para Paris é mais cômodo e barato, nem precisei abrir a boca sobre meu medo de avião.

A estação Gare de Lyon em Paris pareceu a de Zurich à primeira vista. Estações de trem já são velhas conhecidas minhas, então emergir de um trem na cidade-luz parecia brincadeira. Eu pensava, isto é um sonho. Eu em Paris? Imagina! De jeito nenhum! E não foi até eu sair do buraco do metrô no meio de uma rua qualquer no 11eme arrondissement, perto da Place de la Republique, que eu olhei em volta, enchi os pulmões, e disse em voz alta, sim, estou em Paris.

Entre as duas pistas de carros, jardins bem cuidados, com banquinhos e postes, aquelas cenas de aquarelas que vira e mexe vemos por aí. Era noite, mas ainda havia alguma luminosidade. Dez e quinze, mais ou menos, e o céu ainda não estava negro. Quando vou me acostumar com les journées longues do verão europeu?

Fomos andando ao hotel baratinho que tinha sido reservado há quase um mês. Alguma coisa me dizia que poderia dar problema, mas eu, até então, estava pondo a culpa desse sentimento no design horroroso do site intermediador que viabilizou a reserva via internet. E não deu outra. Chegando no hotel, um casal de chineses parecia bastante irritado. Tinham na mão um papel de reserva igualzinho ao meu. O recepcionista dirigiu-se a nós e pediu que esperássemos cinco minutos. Pouco depois, um senhor baixinho, gordinho, com um cabelo esquisito e cara de picareta nos falou, venham comigo; tivemos um problema no sistema, mas eu vou acomodar vocês em outro hotel. O casal chinês a todo tempo perguntava a mesma coisa, e pedia alguma segurança de que não iam ter que pagar mais caro pelo outro hotel. Com tanta insistência deles, eu não precisei mover uma palha, só seguir o comboio.

Há quem acredite que coincidências são apenas coincidências, e quem tenha certeza de que sõ sinais de Deus. Ou ainda, já li que são apenas parte intrínseca daquele momento, a cereja no topo do bolo, coroando uma situação que já tinha tudo para ser especial. Não bastasse o hotel no qual fomos acomodados ser um duas estrelas super bonitinho (e que custava praticamente o dobro do preço que pagamos), enquanto eu estava esperando que o picareta - digo, o representante do site - finalizasse a transação com o recepcionista, bati o olho em um livro de fotos que estava em exposição em um canto da sala de espera: "Tampere".

Sabe aqueles momentos nos quais você simplesmente não fala? Eu não pude acreditar. O que um livro de fotos da cidade onde vou morar pelos próximos dois anos, na longínqua Finlândia, e que nem é Helsinki, estava fazendo no topo de uma fila na sala de espera do hotel que eu *não* deveria me hospedar? Sinal ou não, apenas uma coincidência boba ou um livro colocado ali especialmente para mim, o fato é que daquele momento em diante eu sabia que a viagem a Paris seria inesquecível.

(continua)

Trackback URL for this post:

http://mairacarvalho.com.br/blog/trackback/98

Comentários

Edujohn (não verificado(a)) ter, 07/08/2007 - 04:02

Mairosa,

Que relato legal! Vc tá escrevendo super bem, sabia?
Então, vim aqui para perguntar: quando chegas mesmo?

Encontrei o Cuquinhas num samba, sexta-feira. Falamos de vc e que vc TERÁ que ir num programa desses, dançar samba, forró, enfim.

Bjão,
Edujohn