sobre a vida

Ode à bicicleta

O lago ainda estava congelado quando eu fui com o Matias buscar a bicicleta. Vinte míseros euros, quem diria. O suficiente para uma magrelinha de pneus furados, meio sujinha, mas que ainda dá para levar um feliz proprietário pra cima e pra baixo. Ela é branca com roxo, parece a bicicleta da Barbie (juro!).

Um ano de Europa

No dia 30 de outubro fez exatamente um ano que eu me mudei para a Europa. Parece que foi há umas três vidas. Pensando bem, fazendo um balanço rápido de tudo o que aconteceu desde então, o número mais correto é cinco.

À superfície

É como se alguma entidade estivesse me segurando sob a superfície de um lago - Lago Paranoá, Lago Leman ou um dos milhares de lagos finlandeses, nem faz tanta diferença. Essa sensação de atropelo e de falta de ar independe do lugar, independe da situação.

Reticência

Doeu ouvir aquele chorinho do outro lado do telefone. Sensação de que eu não devia ter ligado, e feito a minha avó lembrar, de novo, talvez pela centésima vez na última hora, que o centro da família não está mais do lado de cá.

Seu Brandão tinha muito orgulho de mim, disso eu sei. E qualquer coisa que lembre ele machuca quem está lá.

O ranking da qualidade de vida

Tenho recebido em meus feeds (blogs e sites de notícias nos quais me increvo para receber as atualizações por meio de um programa) diversas notícias sobre o ranking de cidades com melhor (e pior) qualidade de vida para se viver no mundo. Não é nenhuma surpresa saber que a Suíça está no topo.

Se não pode vencê-los...

Hoje é meu aniversário.

Adoro fazer aniversário. Ano novo e dia de assoprar velinhas são meus dias preferidos no ano. Acho que é porque adoro astronomia, e a idéia de que a Terra deu uma volta inteira ao redor do Sol e agora está no mesmo lugar sempre me faz pensar bastante. Gosto de usar esses dois dias (dois dias primeiros dos dois primeiros meses do ano) para avaliar o que eu fiz e o que eu não fiz, metas alcançadas, comportamentos que eu não tenho mais, hábitos melhores, hábitos piores, quilos ganhos ou, quem sabe, quilos perdidos. Cursos feitos, linguas aprendidas, amizades novas, amizades antigas que não são mais a mesma coisa.

Quando a grama do vizinho não é mais verde

Recebi hoje uma mensagem endereçada a todos os funcionários da OIT com um pedido vindo diretamente da UNAIDS, que é o orgão internacional da ONU voltado para a luta contra HIV/Aids.

Azul, tão azul

Não existem estatísticas que sirvam de consolo quando alguém conhecido morre em um desastre como esse.

A Patrícia era uma pessoa de um olhar tão azul que acalmava. Dói em mim imaginar como seus olhos estariam nos intermináveis minutos que devem ter separado a consciência da fatalidade e a inconsciência do que veio em seguida.